O ISENTÃO

Claudio Ramos

Cientista Político

Quem é o  ISENTÃO?

O ISENTÃO é aquele que  busca fugir de temas polêmicos e que não quer ter uma posição ou tomar uma decisão ou fazer uma escolha política;  não quer ou se recusa a participar da vida política e não quer exercer de fato a sua cidadania;   vive  envolvido no seu mundo de rotinas diárias:  suas necessidades pessoais e de sua casa, sua família, seu trabalho, seu lazer e suas propriedades. “O resto não me interessa, não me incomode!” Em relação às políticas públicas básicas de saúde, segurança e educação,  ele pensa que isso fica para os políticos e o governo decidirem. “Não tenho nada  a ver com isso.  Não entendo nada de política. Me deixa quieto no meu canto”.

Em termos políticos, o isentão  é aquele que se afasta da polarização política e  ideológica, direita e esquerda. Ele costuma preferir votar numa terceira via, mesmo sabendo que não é viável eleitoralmente. Na verdade,  ele tem forte desinteresse por todas as questões políticas e quer  se manter na neutralidade, o que não o exime de sofrer as consequências de sua escolha.

Razões para as suas ideias e práticas

O descrédito nas lideranças políticas, as experiências negativas do passado e decepções políticas; o pensamento  dele é  que os  seus sonhos e buscas pessoais não foram respondidas ao longo do tempo; ele  não acredita  em mais nada e nem em ninguém e que nada pode mudar  o que está posto aí. Por isso, prefere não votar, anular seu voto, não defender nenhuma pauta política, não entrar em debates políticos. Na verdade, ele não deseja provocar um conflito na família ou no trabalho.  O voto não tem importância pra ele, não faz diferença,  ele não analisa o perfil dos candidatos.  Vota em qualquer um que lhe pareça o menos pior, isso quando decide votar. Não se importa com os rumos políticos da sua cidade e de  seu país, não se informa sobre política. Em resumo, ele tem  a convicção  de  que todos os políticos são  iguais e  que não vai perder o  seu tempo ou seu voto com isso.

Um fato interessante

O isentão, via de regra,   costuma ser  uma pessoa  bem educada e com boa formação educacional ou   até mesmo um profissional de renome na sua área profissional,  mas cuja atitude revela uma completa alienação da realidade à sua volta  e que ele não questiona, não busca ou deseja  eventuais benefícios decorrentes de  sua participação política. O isentão,  no fundo, sabe que sua atitude  em relação à política é errada ou  até individualista, mas ele não liga. Ele sabe que  sua omissão gera impactos, mas ele não dá importância. A verdade é que muitos não querem se envolver ou se posicionar por se sentirem ameaçados no seu ambiente de trabalho ou familiar  ou  por medo de perderem seus cargos de confiança ou  apenas não querem se  prejudicar nas  suas relações de convívio social.

Estratégias para a abordagem do Isentão

Devem-se empenhar esforços para sua conscientização e envolvimento político. Motivá-lo a participar é uma tarefa complicada, mas que talvez possa envolver a sua responsabilização na preservação dos direitos humanos e  dos benefícios sociais;  nas boas práticas de justiça social ou de igualdade de oportunidades; ele precisa ser informado e estimulado a se envolver em grupos de  debates; receber argumentos lógicos e sensatos para sua análise em um ambiente em que ele se sinta bem seguro; focar nos ganhos pessoais e  familiares do seu envolvimento,  o que  poderá envolver a explicação dos mecanismos de validação do voto e seus impactos na vida de todos, principalmente, impactos no seu bolso, nas suas economias e nos impostos que paga. Conscientizá-lo de que a sua omissão, na escolha de um bom candidato,  impacta na  qualidade e quantidade  dos transportes e  dos empregos, na segurança pública, na implementação de políticas públicas para o bem comum. Enfim, impacta  na sua qualidade de  vida e inclusive  nos valores que ele deseja preservar para sua família.  Na verdade, não decidir já é uma decisão, uma escolha. Uma péssima escolha!

 Em resumo, o isentão precisa sair de sua zona de conforto e ser um cidadão participativo, para seu benefício pessoal e o bem coletivo. Na imprensa e nas redes sociais, todos os dias, vemos o descaso com a população, a corrupção, os desvios de verbas públicas. De fato,  o resumo do soneto é  que “voto não tem preço, tem consequências” e  que “quem não se interessa por política será governado por quem se interessa”. Saber que a opinião e  o voto dele, importam. E muito!

Eu Perguntaria: Qual a  Missão e o  legado de vida do isentão?!  Minha leitura é de que o isentão coopera, decisivamente, com sua omissão e atitude,  com o estado de coisas que vivenciamos todos os dias em nosso país.  Acorda, Brasil!

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